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Bolívar e Guiñazu, duas despedidas bem diferentes

A
última semana marcou a saída de dois dos maiores ídolos da história recente do
Internacional, Bolívar e Guiñazu. Ambos ficaram marcados pela raça, liderança e
pelo grande número de títulos conquistados. Entretanto, os dois jogadores
tiveram despedidas bem diferentes.

Bolívar
já vinha com a imagem desgastada. Atritos 
com a direção, treinadores e o próprio grupo minaram a permanência do
“General”. Para quem não se lembra, Bolívar começou a carreira como
lateral direito. Bem mediano, por sinal. Além de ser muito alto para os padrões
da posição, o jogador não tinha a explosão física e o apoio qualificado para
atuar na lateral. Na falta de um zagueiro, Bolívar foi deslocado para a zaga
(diz a lenda que esse foi um pedido de Fernando Carvalho para Muricy Ramalho).
Consagrou-se. Tinha o perfil de Xerife. Vai ficar marcado por anular Ricardo
Oliveira na Final da Libertadores de 2006, que era o grande atacante do São Paulo;
e pelo gol na primeira partida da Libertadores de 2010, contra o Chivas.
Para
quem não teria uma carreira promissora, o zagueiro foi longe demais. Mais do
que a sua qualidade lhe permitiria. A falha no 1º gol do Mazembe, no Mundial de
Clubes, e as atuações comprometedoras do lateral direito Nei, que desprotegia
completamente o lado direito, foram os estopins da sua decadência. Bolívar não
aceitou a reserva. Tumultuou o vestiário. Sem clima para atuar no Inter, ainda
pode ser útil em outro time. Porém, a sua despedida vai ficar marcada de forma
negativa. Melancólica.

Guiñazu, sai por cima. Um dos poucos que se salvaram em 2012, o argentino vem
sendo, desde sua contratação em 2007, uma das referências da equipe.
Incansável, “El Cholo” contagiava o time, independente se o momento
fosse bom ou ruim. Profissional ao extremo, pode-se dizer que Guiñazu é o
retrato fiel do que um torcedor espera de um boleiro quando este está vestindo
a camisa do seu time. Algo bem raro nos dias de hoje, onde a disputa por egos e
salários astronômicos predominam.
Agregador
e boa praça, o argentino não terá manchas em seu histórico no clube. Não
implorou renovação de contrato no final da carreira, nem esperou que o declínio
profissional chegasse. E, deveria ser assim com todos os ídolos. Sem manchas,
arranhões ou poréns. Apenas a imagem inatingível e imaculada do jogador com sua
torcida. Nem todos conseguem esse feito. Uma pena.

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