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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Bolívar e Guiñazu, duas despedidas bem diferentes

A última semana marcou a saída de dois dos maiores ídolos da história recente do Internacional, Bolívar e Guiñazu. Ambos ficaram marcados pela raça, liderança e pelo grande número de títulos conquistados. Entretanto, os dois jogadores tiveram despedidas bem diferentes.

Bolívar já vinha com a imagem desgastada. Atritos  com a direção, treinadores e o próprio grupo minaram a permanência do "General". Para quem não se lembra, Bolívar começou a carreira como lateral direito. Bem mediano, por sinal. Além de ser muito alto para os padrões da posição, o jogador não tinha a explosão física e o apoio qualificado para atuar na lateral. Na falta de um zagueiro, Bolívar foi deslocado para a zaga (diz a lenda que esse foi um pedido de Fernando Carvalho para Muricy Ramalho). Consagrou-se. Tinha o perfil de Xerife. Vai ficar marcado por anular Ricardo Oliveira na Final da Libertadores de 2006, que era o grande atacante do São Paulo; e pelo gol na primeira partida da Libertadores de 2010, contra o Chivas.

Para quem não teria uma carreira promissora, o zagueiro foi longe demais. Mais do que a sua qualidade lhe permitiria. A falha no 1º gol do Mazembe, no Mundial de Clubes, e as atuações comprometedoras do lateral direito Nei, que desprotegia completamente o lado direito, foram os estopins da sua decadência. Bolívar não aceitou a reserva. Tumultuou o vestiário. Sem clima para atuar no Inter, ainda pode ser útil em outro time. Porém, a sua despedida vai ficar marcada de forma negativa. Melancólica.

Já Guiñazu, sai por cima. Um dos poucos que se salvaram em 2012, o argentino vem sendo, desde sua contratação em 2007, uma das referências da equipe. Incansável, "El Cholo" contagiava o time, independente se o momento fosse bom ou ruim. Profissional ao extremo, pode-se dizer que Guiñazu é o retrato fiel do que um torcedor espera de um boleiro quando este está vestindo a camisa do seu time. Algo bem raro nos dias de hoje, onde a disputa por egos e salários astronômicos predominam.

Agregador e boa praça, o argentino não terá manchas em seu histórico no clube. Não implorou renovação de contrato no final da carreira, nem esperou que o declínio profissional chegasse. E, deveria ser assim com todos os ídolos. Sem manchas, arranhões ou poréns. Apenas a imagem inatingível e imaculada do jogador com sua torcida. Nem todos conseguem esse feito. Uma pena.

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