quarta-feira, 3 de julho de 2013

Afinal, a Arena acabou sendo um bom negócio para o Grêmio?

Nos últimos meses criou-se no Rio Grande do sul uma polêmica que se juntaria a outros impasses históricos: Existem seres vivos em outros planetas? O que veio 1º, a galinha ou o ovo? Quem somos e para onde vamos? E, por último, a construção da Arena foi um bom negócio para o Grêmio? O fato é de difícil compreensão e reúne as mais diversas opiniões e teses.

O contrato original entre Grêmio e a construtora OAS foi assinado na gestão do ex-presidente tricolor, Paulo Odone. Entretanto, foi Fábio Koff, após uma eleição bastante turbulenta, que assumiu o clube e a situação que envolve o novo estádio. O antigo Estádio Olímpico e a área que abrange o local seria trocado por um novo estádio, a Arena do Grêmio. Obviamente, o clube gaúcho teria que fazer outras concessões. A construtora ainda ficaria os direitos de exploração da nova Arena por um período de 20 anos, bem como ganharia terrenos no bairro do empreendimento, além de uma porcentagem sobre a bilheteria dos jogos do clube. Koff gritou, antes mesmo de assumir o clube. Dizia que o contrato era danoso ao clube. Por sua vez, Paulo Odone defendia com “unhas e dentes” o contrato. Pronto. A Arena ganhava assim a sua primeira grande disputa: “Koff x Odone”.

No Grêmio, Odone e Koff não falam a mesma língua 
As cláusulas de confiabilidade impedem que todos os termos sejam conhecidos publicamente. Entretanto, parece mesmo que algumas arestas do contrato tinham que ser aparadas. Ao transferir os seus sócios do Olímpico para a Arena, o Grêmio ficava obrigado a indenizar a OAS em mais de 40 milhões de reais por ano. Isso, em curto prazo, impediria o clube de investir muito no departamento de futebol. Koff conseguiu reduzir este valor, negociando uma parte do valor das futuras mensalidades. Outras alterações foram para ajustar o controle da administração do estádio e definir que o Grêmio receba uma parcela do valor arrecado pela construtora ao negociar empreendimentos na área da Arena.

Não há dúvidas de que Koff conseguiu alterar algumas cláusulas do contrato em favor do Grêmio. Entretanto, não dá para ser ingênuo ao ponto de acreditar que tais modificações “salvaram” o clube. A ótima relação do atual presidente tricolor com alguns membros da imprensa gaúcha foi determinante para que houvesse uma supervalorização do fato. Koff também não precisa disso. É, de longe, o maior presidente da história gremista. Deixando quaisquer paixões clubísticas de lado, vejo a Arena do Grêmio sob o seguinte aspecto: O sucesso do negócio reside na capacidade do clube agregar todo potencial financeiro que o seu torcedor pode gerar. Isso leva tempo, requer muita competência e exige que se transforme a cultura existente entre clube e torcedor no Brasil. O torcedor não é visto como cliente. Desta forma, o clube perde inúmeras fontes de dinheiro, negligenciando os interesses dos seus fãs. A nossa concepção de Marketing esportivo ainda engatinha. Somos principiantes, se nos compararmos aos europeus e americanos. O conceito de Arena requer que essa mentalidade seja transformada. Somente a paixão que o torcedor tem pelo clube não é o suficiente para o sucesso de uma organização esportiva, embora esse fator seja o seu grande diferencial. Já imaginaram uma marca qualquer que tenha torcedores fanáticos e totalmente apaixonados pelos seus produtos? Seria o sonho de qualquer gerente de Marketing.

Se você leu o texto até o fim, esperando que eu respondesse se a Arena do Grêmio foi um grande negócio para o clube, desculpe a frustração. Apenas o tempo e os esforços do clube poderão responder a essa pergunta. Não vou entrar em nenhuma paranoia política e tampouco tomar partido de um contrato que não está totalmente claro. Agora, caso se mostre ruim daqui a algum tempo, não tenho dúvidas sobre quem serão os culpados: todos os dirigentes que passarem pelo clube e não conseguirem aproveitar o completo potencial que a torcida gremista possui. E isso inclui não só os resultados dentro de campo, mais também a administração como um todo, sobre tudo o marketing.

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