quarta-feira, 22 de maio de 2013

Alex Ferguson se aposenta como o maior técnico da história do futebol

Ferguson virou uma lenda em Old Trafford


Após 27 anos e 1500 jogos no comando do Manchester United, Sir Alex Ferguson deixou os diabos vermelhos. O escocês se aposenta para entrar na história como o maior técnico de futebol de todos os tempos (observe que não disse “o melhor” de todos os tempos). Ao longo da carreira, Ferguson não fez nenhuma grande revolução tática, venceu títulos importantes com times ruins ou montou equipes quase imbatíveis. Entretanto, nenhum outro treinador na história arrecadou tantos números impressionantes à frente de um grande clube de futebol. Ele conseguiu elevar o United a outro patamar no mundo da bola e reuniu recordes que dificilmente serão alcançados por outra pessoa.

O Manchester United soube compreender as limitações do clube e manteve Ferguson durante os primeiros anos de “seca” de títulos. O final dos anos 80 e início dos 90 foram os mais difíceis. Provavelmente em qualquer outro clube do mundo ele teria sido demitido. Sem muito dinheiro, o treinador precisou peneirar o mercado e, aos poucos foi conseguindo formar um time forte. Schmeichel, Cantona, Keane foram alguns dos jogadores em que o escocês bancou de forma correta. Também apostou nos jovem da geração que tinha Giggs, Scholes e Beckham. Bingo! A partir de 1992 o treinador iniciou uma coleção de títulos e mais títulos no clube inglês. No total foram 38. Vale lembrar que antes de Ferguson, o Manchester tinha “apenas” 23 conquistas. Dentre as mais importantes estão os títulos da Eufa champions League de 1999 e 2008.

Na parte tática, Ferguson sempre foi conservador. Geralmente preparava os times com duas linhas de quatro jogadores. Os laterais sempre primavam pela parte defensiva, atacando pouco. Já a linha de meio-campo, sempre foi o ponto forte. Os dois homens das laterais jogavam bem abertos, com bastante liberdade, muitas vezes atuando como ponteiros. Os dois jogadores do meio tinham habilidade e chegavam com frequência no ataque. Ferguson também costumava utilizar dois atacantes mais enfiados, com grande poder de finalização. Sob o seu comando o United sempre foi bastante ofensivo, marcando muitos gols. A rotatividade entre reservas e titulares também era uma de suas marcas. Chegou a utilizar um time reserva na semifinal da Champions League de 2011, batendo o Schalke 04. Ninguém jogava no nome. Todos tinham oportunidades.

O grande trunfo de Ferguson ao longo desses 27 anos foi saber reformular um time vencedor. É normal que saiam jogadores importantes da equipe. É preciso repor com qualidade. Quando Beckham foi embora, já havia um português fora de série para substituí-lo. Seu nome era Cristiano Ronaldo. Quando perdeu os principais atacantes que faziam parte do time campeão em 1999, foi buscar Ruud van Nistelrooy no PSV. Muitos não acreditavam no centroavante holandês. Fez 150 gols. Rooney foi outra aposta ousada. O prodígio era muito caro e tinha fama de indisciplinado. Hoje é um dos maiores jogadores do mundo. Ferguson teve o mérito de sempre formar equipes competitivas, sólidas e regulares. Poucas vezes foi brilhante.

Obviamente que durante esse tempo todo o escocês teimoso também errou muito. Atuando também como manager, e gastando pouco nas contratações (ele sempre foi pão-duro), acabou apostando em promessas mais “baratas” que deram pouco resultado. O que também é compreensível. Seu temperamento forte também trouxe algumas discussões e desafetos. Entre os principais estão: Mark Hughes, seu ex-jogador e hoje técnico, e Arsène Wenger, grande rival do Arsenal. O desgaste com David Beckham, e mais recentemente com Rooney, também foram visíveis. Ferguson chegou a deixar o “Shrek” no banco na partida que eliminou os Diabos Vermelhos na Champions League deste ano. Rooney era o grande craque do time. Um absurdo! Fosse outro treinador, teria sido “crucificado”. Mas, Ferguson é Ferguson.

O Manchester United precisa ser dividido entre A.F (antes de Ferguson) e D.F (depois de Ferguson). A sombra do treinador ainda estará presente em Old Trafford por um longo período. E o escocês ainda deixa de herança o time montadinho e a taça do Campeonato Inglês no armário. Quem terá a ingrata tarefa de substituir a lenda será David Moyes, que veio do Everton. Sinceramente, eu apostava que Mourinho fosse ocupar o cargo. O português tem um nome mais pesado para assumir a pressão que certamente virá como um furação. Só para constar, se alguém tem alguma dúvida do que representa Ferguson para o MU, o último chiclete que ele mascou (ele era é viciado em chiclete), acaba de ser leiloado por 500 mil euros! Definitivamente, não é para qualquer um! 


Títulos de Ferguson pelo Manchester:

Premier League (13): 1992-93, 1993-94, 1995-96, 1996-97, 1998-99, 1999-2000, 2000-01, 2002-03, 2006-07, 2007-08, 2008-09, 2010-11, 2012-13.
Taça de Inglaterra (5): 1989-90, 1993-94, 1995-96, 1998-99, 2003-04
Taça da Liga (4): 1991-92, 2005-06, 2008-09, 2009-10
Supertaça inglesa (10): 1990, 1993, 1994, 1996, 1997, 2003, 2007, 2008, 2010, 2011
Liga dos Campeões (2): 1998-99, 2007-08
Taça das Taças (1): 1990-91.
Supertaça Europeia (1): 1991
Taça Intercontinental (1): 1999
Mundial de clubes (1): 2008

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