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Entenda por que a parceria da Caixa Federal com o Corinthians é tão polêmica

Estava
demorando para que o negócio firmado pela Caixa Econômica Federal e o
Corinthians fosse contestado judicialmente. A 1ª ação contra a parceria foi
movida e uma liminar impedindo o pagamento ao clube paulista concedida. A ação
popular foi ajuizada pelo advogado gaúcho Antônio Beiriz. Ele alega que a
parceria é lesiva aos cofres públicos devido o seu alto valor (R$ 30 milhões
por ano). Além do mais, o advogado diz que o patrocínio constitui  uma publicidade inócua e destituída de
caráter informativo.
Bem,
certamente o caso merece uma análise de marketing, ética e jurídica. Primeiro,
obviamente que a divulgação da marca do banco na camisa do clube não teria
caráter explicativo. Queriam que fosse colocado um panfleto no uniforme? Dono
de uma exposição de mídia “absurda”, prestes a viajar para o Mundial
de clubes e com cerca de 25 milhões de torcedores, patrocinar o Corinthians é
uma estratégia de marketing muito interessante. Além da torcida do clube ter
sido apontada como a de maior poder de compra no país, o futebol no Brasil é um
dos assuntos mais comentados e exibidos em veículos de comunicação (tudo isso
de forma gratuita!). Também, o esporte propicia uma interação sentimental em
níveis altíssimos. Sem falar no Marketing institucional, essencial para empresas
de grande porte. É só pensar que o anúncio de um produto ou serviço do banco, no
intervalo da partida do time, tem um impacto muito maior sobre o público alvo.
Portanto,
do ponto de vista do Marketing, o Advogado gaúcho disse uma grande bobagem. A
Caixa Econômica Federal é uma empresa Estatal, mas que participa do mercado
capitalista, juntamente com outros bancos. Até sob o aspecto de
“combate” aos concorrentes a parceria teria sentido. Um dos
concorrentes da Caixa, o Santander, patrocinou as últimas cinco edições da Copa
Libertadores.
Agora,
com relação a questão ética, a parceria chega a ser um atentado. Se o banco quisesse
vincular a sua marca ao futebol, poderia ser o patrocinador do Campeonato Brasileiro,
da copa do mundo ou até mesmo estender a oferta a todos os clubes da 1ª divisão.
O que não pode ser feito é privilegiar um clube em detrimentos dos outros,
ainda mais com valores acima dos praticados habitualmente (R$ 30 milhões
anuais). A polêmica se acentua devido ao vínculo que os brasileiros tem com o
Banco. A Caixa detém diversos serviços sociais que os habitantes precisam ser
cadastrados ou tem direito por lei (PIS, FGTS, Seguro Desemprego, INSS, Bolsa
Família…) Outro fato que agrava a polêmica é a ligação do ex-presidente Lula,
que é torcedor fanático declarado do Corinthians e que havia prometido
conseguir um “pompudo” patrocínio ao clube. Sem falar nas concessões
que permitiram a construção de um estádio de grandes proporções para o
Corinthians (está sendo construído o Itaquerão). Ora, aí só faltou criar uma
bolsa Família Corinthiana.
Sobre
o aspecto jurídico, apesar da primeira liminar contrária, acredito que a
parceria será liberada. O Clube possui as certidões negativas de débito federal
quitadas (não apresenta dívida com a União), desta forma pode receber verba federal.
Não há lei que proíba o acordo nos moldes em que ele foi tratado. Da mesma
forma que é ridícula a tese de que exposição da marca do Banco na camisa do
clube é inócua (sem nenhum efeito). O advogado poderia ter consultado um
profissional de marketing, certamente ele teria uma opinião mais qualificada.
 A parceria, do ponto de vista de marketing, é fantástica. Sobre o aspecto ético
é vergonhosa. E, em relação a parte jurídica, se aproveita de leis pouco claras
e que não previram tal acontecimento. Vale lembrar que o Flamengo pode ser o
próximo a ser patrocinado pela Caixa Federal e que o banco também firmou
contratos com Atlético Paranaense e Avaí. No Rio Grande do Sul, Inter e Grêmio
também possuem situação parecida, ao ser patrocinado pelo banco do estado
(Banrisul). Entretanto, o Banrisul é uma Sociedade de Economia Mista
(participação privada e governamental), cujo maior acionista é o próprio Governo
do Estado. Os valores de patrocínio também servem para “abater” parte
da dívida da dupla Grenal com o banco. A polêmica está lançada…

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