domingo, 15 de abril de 2012

Obrigado por tudo, mestre Cláudio Quintana Cabral

Por: Eduardo Miranda 14/04/2012

No dia 14 de abril de 2012, falecia Cláudio Quintana Cabral, um craque do jornalismo esportivo gaúcho. O "Mestre", como era chamado, deixou-nos aos 71 anos. Lúcido. E, junto com ele, a opinião mais talentosa que o rádio gaúcho nos proporcionava acerca do tema futebol. Ex-integrante das rádios gaúcha, Guaíba e Bandeirantes (emissora na qual trabalhava na data de sua morte), o cronista também foi dirigente do Internacional na década de 70. Mesmo assim, conseguia separar a paixão clubística das observações que realizava. 

Cláudio Cabral foi um gênio. Unia o conhecimento do futebol com a técnica retórica. Dono de uma ironia fina, ácida, por vezes cruel; tinha o poder de resumir os fatos com palavras mágicas e antológicas. Nada passava despercebido por ele. Dentre as "sacadas" brilhantes, algumas de suas frases e expressões tonaram-se reconhecidamente sua marca registrada. Lembremos algumas: "Pior que ganhar o campeonato gaúcho é perder o campeonato gaúcho", "Olha aqui ó, o Inter está apresentando uma atuação pornográfica", "Não vão me passar esse cachorro", "Oremos", "Bahh", "Sem a bola eu e o Pelé jogamos a mesma coisa", "Falei e assino embaixo", dentre muitas outras pérolas que jamais sairão de nossa memória. Sem muita paciência e demonstrando frequente mau humor, o "mestre" não aliviava em suas análises, principalmente no momento de informar a nota individual dos jogadores. Exigente, dificilmente atribuía valores maiores que 7. Por outro lado, as cotações baixas sempre viam acompanhadas de termos espirituosos, levando os ouvintes a gargalhadas.

Sem dúvida o rádio esportivo gaúcho perdeu o seu comentário mais genial. É comum, quando um grande jogador se retira dos gramados, falarmos que ele deixa uma série de viúvas (pessoas que recorrentemente falam do atleta com saudosismo). Neste caso, confesso que serei uma "eterna viúva" dos comentários de Cláudio Cabral. Ao menos, restam os ensinamentos. Obrigado por tudo, Mestre.

0 comentários:

Postar um comentário